quarta-feira, abril 16, 2008

E eis-me preso à memória escura dos teus olhos, dos teus passos saltitantes, da tua alegria convicta que a partir de certa altura começou a açucarar demasiado a minha vida. Não consigo concentrar-me. Passo os dias com os olhos sobre as letras dos livros que tenho de ler e não consigo entrar neles. E ouço muitas vezes a canção de Pascoal: «A sombra das nuvens no mar / O vento na chuva a dançar / uma chávena a fumegar / Tudo me falava de ti / A sombra das nuvens desceu / O céu alto arrefeceu / E o mar bravio perdeu / A luz que vinha de ti.»



in "Fazes-me Falta" de Inês Pedrosa



Este livro tornou-se um dos meus predilectos.
"Só não consegue quem desiste!"


No outro dia li esta pequena grande frase num blog e realmente é verdade... Há que lutar pelas coisas...
Quando quiserem uma coisa, lutem por ela. Não fiquem à espera que ela caia do céu.

Vaidade


Sonho que sou a poetisa eleita,

Aquela que diz tudo e tudo sabe,

Que tem a inspiração pura e perfeita,

Que reúne num verso a imensidade!


Sonho que um verso meu tem claridade

Para encher todo o mundo!E que deleita

Mesmo aqueles que morrem de saudade!

Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!


Sonho que sou Alguém cá neste mundo...

Aquela de saber vasto e profundo,

Aos pés de quem a Terra anda curvada!


E quando mais no céu eu vou sonhando,

E quando mais no alto ando voando,

Acordo do meu sonho... E não sou nada!...





Florbela Espanca


Ora aqui está outra poetisa que gosto bastante!
És agora apenas uma fotografia ao lado da minha insónia. Uma memória que me fala sobretudo, como todas as memórias, daquilo que não existiu. Nessa fotografia te esqueço. Meticulosamente, de cada vez que me esforço por reter-te e começo a inventar-te. Tudo em ti tem asas, agora - o teu riso, os teus passos. Até nas poucas frases que de ti recordo há um restolhar de penas. E deslizo para esta solidão de não poder voltar a ser sozinho, como era quando tu existias, nesta mesma cidade, e eu já nem sequer pensava em ti.

«Queria ver-lhe os olhos verdadeiros e a boca e a face, mas não estavam lá. Porque eram só uma aparição difusa incontornável como a luz do ar que não se via e era só iluminação». A tua voz sobre estas palavras. Que livro lias?

Tinhas o hábito de disparar em voz alta as frases que mais te deslumbravam, sem respeito pelo silêncio no qual os outros liam coisas. E eu engatilhava o melhor dos meus sorrisos amarelos, dizia «É bonito, muito bonito». E então tu entusiasmavas-te e metralhavas um capítulo inteiro. O que era muito irritante, no momento - eu estava a ler outra coisa. Mas depois, quando já te tinhas ido embora, eu lembrava-me das tuas leituras bruscas, da rouca solenidade da tua voz, e sorria, embasbacado, para essa brusca memória tão meiga de ti.




in "Fazes-me Falta", de Inês Pedrosa


Torno-me muito repetitiva se voltar a dizer que gosto bastante deste livro?
O principezinho arrancou também, não sem um pouco de melancolia, os últimos rebentos de baobá. Ele julgava nunca mais voltar. Mas todos esses trabalhos familiares lhe pareceram, aquela manhã, extremamente doces. E, quando regou pela última vez a flor, e se dispunha a colocá-la sob a redoma, percebeu que estava com vontade de chorar.

- Adeus, disse ele à flor.

Mas a flor não respondeu.

- Adeus, repetiu ele.

A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
- Eu fui uma tola, disse por fim. Peço-te perdão. Trata de ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, inteiramente sem jeito, com a redoma no ar. Não podia compreender essa calma doçura.
- É claro que eu te amo, disse-lhe a flor. Foi por minha culpa que não soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Trata de ser feliz... Mas pode deixar em paz a redoma. Não preciso mais dela.
- Mas o vento...
- Não estou assim tão resfriada... O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
- Mas os bichos...
- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.
E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:
- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Vai-te embora!
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa...
in "O Principezinho" de Saint-Exupéry

Toy Story - You've Got a Friend in Me

domingo, março 30, 2008

- Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores? Não será mais importante que as contas do tal sujeito? E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, - isto não tem importância?!

Corou um pouco, e continuou em seguida:

- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem!

in "O Principezinho", Saint-Exupéry

quarta-feira, março 26, 2008

Soldier of love - Pearl Jam

quinta-feira, março 20, 2008

Às vezes pode parecer que fraquejo ou me conformo, mas sou uma lutadora por natureza... Não desisto dos meus sonhos...Se me cortam um caminho, sigo por outro! Posso demorar mais tempo ou passar por mais peripécias, mas no fim acaba tudo bem...
Tudo tem uma razão de ser, embora na maioria das vezes nunca a saibamos... Tudo pode mudar de um dia para o outro...Eu sei que sim!

quinta-feira, março 06, 2008

original picture by R.G.

"Os teus dedos - poderão estar enroscados no vento, os teus dedos que já não existem? Quando tu existias, o vento era apenas vento. Cada coisa tinha uma forma exacta e uma história de duração. Perdi a dureza que me fazia durar quando te perdi - ou melhor, quando desapareceste e eu me perdi em ti."... "e agora acredito que a carícia dos teus dedos está no vento, a cintilação dos teus olhos negros na água do olhar de uma amiga tresmalhada, nas estrelas ou nos reflexos do sol sobre o rio. Amizade. Desenho o teu riso sobre essa palavra e vejo-te inteira no lugar dela."



in Fazes-me Falta, de Inês Pedrosa



Apaixonei-me por este livro...

sábado, março 01, 2008

Porque o silêncio não é como as pessoas o pintam...

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Ao vento

O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas ásperas de demente;
E esta minh'alma trágica e doente
Não sabe se há-de rir, se há-de chorar!
Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que ris de mim, sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amar,
A tua voz tortura toda a gente!...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim!... Ó vento, chora!
Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
E a gente andar a rir pla vida fora!!...



Florbela Espanca

Algures na ribeira....
- Olha!!!
(caras de espanto...)
- é uma pessoa!!!
- não é nada!
- é! É!! Está-se a mexer!! Tás a ver?
- opah, não é!
(risos e mais risos!)
- é um manequim, não vês?!
- mas tá-se a mexer!!
(gargalhadas sonoras)




Bjo na trenga**

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Bike - Pink Floyd

Aqui está uma música que gosto e o vídeo

quarta-feira, janeiro 16, 2008

by R.G.


Terzza Rima

O que se vê de aqui é só um muro
Um muro no caminho e em cada passo
Um muro entre o passado e o futuro

Um muro em cada gesto em cada olhar
O muro está no tempo e está no espaço
O muro E não se pode atravessar.

O muro está por baixo e está em cima
à direita e à esquerda em frente ao centro
Na prosa no falar na terzza rima

Um muro na palavra e em cada imagem
O muro está por fora e está por dentro
O muro
E não encontras a passagem.

Manuel Alegre

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Crazy - Simple Plan




É simplesmente uma das minhas músicas favoritas, tb gosto do videoclip.
*by R.G.*
Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

Mário Quintana

sábado, dezembro 29, 2007

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Vinicius de Moraes
Procuremos somente a beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou bronze e uma sombra que passa...

Eugénio de Castro
Soneto

Rudes e breves as palavras pesam
mais do que as lajes ou a vida, tanto,
que levantar a torre do meu canto
é recriar o mundo pedra a pedra;
mina obscura e insondável, quis
acender-te o granito das estrelas
e nestes versos repetir com elas
o milagre das velhas pederneiras;
mas as pedras do fogo transformei-as
nas lousas cegas, áridas, da morte,
o dicionário que me coube em sorte
folheei-o ao rumor do sofrimento:
ó palavra de ferro, ainda sonho
dar-vos a leve têmpora do vento.

Carlos de Oliveira